Comércio de Itabuna

Outubro 4, 2007

Itabuna - Sul da Bahia


Curso para Modelos em Itabuna

Outubro 4, 2007

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O que é Kabbalah?

Agosto 20, 2007

A Kabbalah é um método simples e preciso que pesquisa e define a posição do ser humano no universo. A sabedoria da Kabbalah nos diz porquê existe o homem, porquê nasce, porquê vive, qual é o propósito de sua vida, de onde vem e para onde vai quando completa sua vida neste mundo.

A Kabbalah é o único método para alcançar o mundo espiritual. Ensina-nos a respeito do mundo espiritual, e, ao estudá-la, vamos desenvolvendo um sentido adicional. Com a ajuda deste sentido podemos estabelecer contato com os mundos superiores.

A Kabbalah não é um estudo abstrato ou teórico, mas pelo contrário, muito prático. O homem aprende a respeito de si mesmo, quem é e como é. Aprende o que deve fazer agora para mudar, etapa por etapa, passo a passo. Direciona a sua investigação para seu próprio interior.

Toda a experimentação se realiza sobre si mesmo, em si mesmo. É por isso que a Kabbalah se denomina “A Sabedoria Oculta”. Através dela, a pessoa sofre mudanças internas, ocultas aos olhos dos demais, que só ela percebe e conhece. Esta atividade, própria, específica e peculiar ocorre em seu interior, e só ela a compreende.

A palavra “Kabbalah” vem da palavra “laykabbel”, receber. A Kabbalah descreve os motivos das ações como “o desejo de receber”. Este desejo se refere a receber diversas classes de prazeres. Para isso, cada um está disposto, em geral, a investir um grande esforço. A questão é: como atingir o máximo prazer pagando o mínimo preço? Cada qual tenta responder a esta pergunta a sua maneira.

Este desejo de receber se desenvolve e cresce segundo uma ordem determinada. No início, deseja-se o prazer dos sentidos. Depois busca-se o dinheiro e a honra. Um desejo ainda mais poderoso torna a pessoa sedenta de poder. Mais adiante apontará, quem sabe, para o pico da pirâmide: a espiritualidade. Quem reconhece a força deste desejo, começa a procurar os meios de satisfazê-lo.

Ao passar pelas etapas do desejo, a pessoa se familiariza com suas habilidades e limitações.

A Kabbalah se ocupa com o que não podemos deter nem controlar. Não sabemos como são criados os sentimentos. Maravilhamo-nos ante as experiências do doce, o amargo, o agradável, o áspero, etc. Não conseguimos construir instrumentos científicos para examinar nossos sentimentos, nem sequer no campo da Psicologia, da Psiquiatria e demais Ciências Humanas. Os fatores da conduta permanecem ocultos a nosso entendimento.

A Kabbalah é como a matemática dos sentimentos; toma todos os nossos sentimentos e desejos, os divide e dá uma fórmula matemática exata para cada fenômeno, a cada nível, para cada tipo de compreensão e de sentimento.

É um trabalho de sentimentos combinado com intelecto. Para os iniciantes, utiliza geometria, matrizes e diagramas. Os que avançam encontrarão uma ciência muito exata que examina os sentimentos. Ao estudar, sentirão cada sentimento, e ao mesmo tempo o compreenderão. Saberão que nome dar-lhe, segundo sua força, direção e caráter.

A sabedoria da Kabbalah é um método antigo e comprovado, mediante o qual o ser humano pode receber uma consciência superior, atingindo a espiritualidade. Este é seu real objetivo no mundo. Se alguém sente um desejo e um anseio por espiritualidade, poderá dar-lhe vazão mediante a sabedoria da Kabbalah, outorgada pelo Criador.

A palavra “Kabbalah” descreve a meta do Kabbalista: atingir tudo aquilo que o ser humano seja capaz, como ser pensante, a mais elevada de todas as criaturas.


AS 3 DIMENSÕES DA KABBALAH: ESSÊNCIA, INFINITO E ALMA

Agosto 20, 2007

Oculto por nossos sentidos, em nosso interior, está o Profeta*, nossa Neshamá, que nos ajudará a desvendar a ordem que rege a vida e a Criação.

A música e a arte, em geral, podem ser um instrumento que nos leve aos domínios do Profeta, e depois, de suas mãos, aos reinos da eternidade.

No judaísmo, não há fragmentação da realidade; existem causas e efeitos que são desencadeados a partir da causa primeira, o Infinito/Ein-Sof.

Essas causas e efeitos unem o material com o espiritual, designando o material como um efeito-conseqüência do espiritual.

O que ocorre no plano material é conseqüência direta de nossa vontade, pensamentos e emoções. Quer dizer que a realidade se desencadeia desde o plano mais sutil até os mais densos.

Com o ocultamento da Luz Infinita, tsimtsúm, surgem os mundos; entende-se por mundos o espaço espiritual onde a alma se manifesta (vide o capítulo “O espaço espiritual da Alma”). A linguagem da Kabbalah, ao referir-se ao desencadeamento da realidade a partir dos planos espirituais- elevados até os mais concretos-densos (vide cap. “Atsmút, Ein-Sof, Neshamá”), indica-nos a forma pela qual a realidade se manifesta. Ao contrário, quando se refere à percepção da realidade a partir de nossa perspectiva, a partir dos planos mais densos do desejo de receber/ratsón lecabel em direção aos mundos superiores, o desejo de dar/ratsón lehashpía nos indica o processo inverso, ou seja, a conscientização através do nosso trabalho espiritual.

A vida e a realidade são um todo indivisível de causas e efeitos.

Os estratos materiais da realidade recebem sua vitalidade dos estratos superiores-espirituais. Mas para que os estratos materiais recebam a realidade harmonicamente, deverão elevar-se aos planos superiores e não limitar a realidade a eles mesmos. Quando transformamos nosso egoísmo em altruísmo, nos chegamos a um grau superior, uma vez que transcendemos os limites de nosso Eu para entender o próximo.

O homem sempre se encontra em um plano intermediário, uma vez que recebemos e também damos, e sobre toda a realidade está a origem e a fonte da vida, o Cadósh Baruch Hú, o ÚNICO que somente dá, pois de quem há de receber? O Rabino e Sábio Kabbalista Iehudá Leib haLevi Ashlag nos ensina que há 4 graus em nosso desejo de receber:

a) Quem recebe pelo simples fato de receber.

Esse é o estado mais denso da realidade, no qual nosso desejo de receber se traduz em puro egoísmo. Nesse estado, o homem está centrado em si mesmo, sem dar a menor importância às conseqüências de seus atos.

102 AS 3 DIMENSÕES DA KABALÁ: ESSÊNCIA, INFINITO E ALMA

b) Quem dá para receber algo em troca.

Este estado é superior ao anterior, pois, apesar de haver um interesse, o homem começa a expandir sua realidade, pois começa a pensar e ter consciência de seu semelhante. E o primeiro grau do desejo de dar/ratsón lehashpía.

c) Quem dá e sente satisfação do fato do outro receber.

Esse estado é incalculavelmente superior ao anterior, já que, quem alcança esse nível de altruísmo em seus atos, consegue vencer o seu egoísmo e expandir sua realidade a todos os aspectos da vida.É como o coração, que só deseja distribuir vitalidade para todo o corpo.

É o segundo grau do desejo de dar, pois agora não espera receber nada em troca, mas deseja dar de seu modo. Quer dizer que ainda há certo grau de desejo de receber não resolvido, pois pensa no outro porém de acordo com a forma na qual ele deseja dar.

d) Quem recebe para dar.

Este estado é a perfeição e a resolução de todos os estratos da realidade e da vida. Quando o homem alcança este grau de desejo, é como a mente que sabe receber tudo o que acontece com o corpo e colocá-lo em seu exato lugar.

É o terceiro grau do desejo de dar. O homem que chega a esse grau é capaz de receber todos os aspectos da realidade e orientá-los em direção ao bem coletivo.

No estado anterior, o homem consegue vencer o seu egoísmo, enquanto que neste também concretiza o objetivo da Criação, já que o Cadósh Barúch Hú manifesta a Criação para que recebamos toda a Sua plenitude, da mesma forma que um homem e uma mulher formam sua família para dar a seus filhos o melhor de si.

Na realidade e na vida não existe casualidade, e sim causalidades, causas e efeitos que encadeiam-se entre si, sem deixar espaço para o azar. Devemos ver a sabedoria que há por trás de cada aspecto e fato da vida. A Torá nos ensina que o Cadósh Barúch Hü fez tudo com Sabedoria/Chochma e descobri-la é o objetivo da vida, pois a verdadeira Sabedoria é a arte de transformar nosso egoísmo/ratsón lecabel em altruísmo/ratsón lehashpía.

O vocábulo arte — omanút, em hebraico — provém da raiz amén, igual a lehitamén/treinar generosidade e entrega, oméner/ama, que dá de si mesma, imún/treinamento e emuná, que se traduz, insuficientemente, como fé.

Emuná é o treinamento do conhecimento espiritual. Emuná é a base do trabalho espiritual de Israel e tem dois aspectos que a constituem: emuná simples (peshutá), e emuná com conhecimento (shebedáat. A emuná é como o amor que não mede nem limita, mas que não pode substituir e sim é alimentado pelo conhecimento.

Quando realmente há amor, há entrega, junto-me e me unifico a quem amo. Para poder alcançá-lo, devo conhecer profundamente a quem amo, para me oferecer a ele de acordo com sua necessidade e seu desejo. Então, esse amor será completo.

Daí a emuná de Israel ser um treinamento constante de generosidade, de entrega e de dar para servir ao próximo e à sociedade, e ser UM com o UM, sem segundo.

O artista — em hebraico omán — é quem aperfeiçoa seu instrumento para dar e entregar de si, da forma mais perfeita e harmoniosa possível. Neste aperfeiçoamento existem dois aspectos, um exterior — sua obra — e outro interior — seu desejo, sua intenção e vontade, sua Neshamá.

A arte do povo de Israel não consiste na busca da beleza estética, e sim na materialização do desejo da alma pela paz e pela harmonia. Na arte judaica, o estético isolado não tem um valor transcendental. Cada elemento é ressaltado e valorizado somente em relação ao objetivo total, que é a fusão de nossa vontade com a Vontade Superior — o Cadósh Barúch Há — através da aplicação das leis objetivas codificadas na Torá.

Toda manifestação que leve o homem a esse objetivo é arte judaica. Para isso, o artista deve treinar sua entrega/ratsón lehashpía, e corresponde que estude conjuntamente com sua arte (onde seu ratsón lecabel se encontra) as leis que regem a vida e a criação, com o fim de fazer seu trabalho conscientemente e na direção correta. E assim que aquele artista alcança a harmonia do desejo, como explicamos no princípio do capítulo, no item d: receber para dar.

A arte judaica, nossa emuná e omanút, é o processo de realização e concretização dessa perfeição que abrange todos os estratos da existência. A arte judaica é, fundamentalmente, uma forma de vida.

O Rei David, Betsalel e o Rei Salomão, quando criavam, respectivamente, música, poesia e arquitetura, ensinaram e nos transmitiram o que é a arte judaica por excelência, e esta é a nossa fonte.

Esta arte foi cultivada pelo povo de Israel, ainda que nem sempre com consciência coletiva. Isso é devido à dispersão que sofremos por quase vinte séculos. Contudo e apesar disso, não nos esquecemos jamais de nosso centro imóvel, no qual confluem a unidade indivisível da Torá de Israel, o Povo de Israel e a Terra de Israel.

O fortalecimento dessa unidade é o treinamento constante e a base da emuná de Israel, arte judaica por excelência, o que a torna universal, aproximando-a gradativamente da origem de toda a criação: o Infinito/Ein-Sof.


Alguns tópicos da Kabbalah

Agosto 20, 2007

O Labor do Coração

A prece é o labor do coração. Ela expressa desejos vindos do coração. Porém o homem não tem poder sobre esses próprios desejos. Ele foi criado de tal modo que ele nunca sabe o que procurar ou quais são suas próprias verdadeiras intenções. Assim, também a natureza essencial de suas preces é imperceptível. Por outro lado, tudo o que está expresso no livro de orações é o que o homem precisa aprender a desejar. Se o homem trabalha sobre si mesmo para direcionar e controlar seus desejos e pensamentos ele alcançará o nível de desejos e pedidos dos autores do livro de orações, os membros da Grande Assembléia (que escreveram o livro judaico de orações, dois mil anos atrás, durante um longo exílio). Para que uma pessoa possa ajustar harmoniosamente seus desejos àqueles dos autores do livro de orações, são necessários vários passos preliminares. Ela precisa entender que egoísmo é a fonte do pecado. Além disso, tudo precisa ser compreendido e sentido na parte mais profunda e intensa de sua alma.

A Evolução das Almas

Tudo é captado através de comparação. Comparando os atributos do Criador aos nossos nós compreendemos tanto a Sua grandeza quanto nossa baixeza. Portanto a pessoa precisa estar consciente da magnificência e da onipotência do Criador. Fé significa sentir realmente o Criador e Sua Presença. Todas as almas atravessam os seguintes estágios:

A fase que precede sua descida em nosso mundo.

A fase durante a qual elas são dotadas com uma certa deficiência denominada egoísmo. Isso é o que a alma percebe como encarnação física.

A fase durante a qual as almas percebem elas mesmas e todo o universo espiritual após o aperfeiçoamento definitivo.

A fase precedente à descida inicial das almas é chamada “Olam Ein Sof”, o mundo sem fim onde as almas recebem incessantemente a luz do Criador. Após, a alma é revestida de egoísmo e desce para o “olam ha ze”, este mundo, onde sua ligação com o mundo espiritual é remota. Ela não sente mais o Criador e não percebe mais sua condição anterior. “Este mundo” refere-se à percepção do momento presente, ou seja, a parte da criação, do Criador, que nós percebemos normalmente por meio de nossos órgãos sensoriais. O egoísmo está instalado no interior dos sentidos. O próximo nível é atingido exercendo-se controle sobre os órgãos sensoriais. O nível mais alto traz uma ampla percepção da criação. Esse nível é sentido antes do processo de atingir o “mundo vindouro”, o mundo que percebemos supra-sensorialmente, como oposto ao mundo “real” em que vivemos agora. Ambos os mundos são, todavia, normalmente percebidos em nosso corpo físico. Quando percebemos nosso ambiente e a nós mesmos, nós percebemos o nosso, “este mundo”. Porém, é no presente que começamos a contemplar o futuro, e a sensação induzida por projetar-se no futuro é denominada “o mundo vindouro”. O processo se repete no “próximo dia”, quando o “mundo vindouro” torna-se “este mundo” e assim por diante. Um exame atento dos escritos do Baal HaSulam pode nos ajudar a entender o processo que atravessamos a cada momento. No que se refere ao comportamento espiritual do homem, a ascensão somente pode seguir a “linha intermediária” (isto é, o comportamento não polarizado em seus extras). A progressão ao longo desta linha intermediária estabelece a condição na qual Torah – O Criador – Israel fundem-se em uma única coisa.

O Trabalho da Torah

O Criador é a fonte pela qual o homem anseia.

A Torah é a luz, que preenche o homem no momento presente.

Israel é o próprio homem, que é seu desejo de se unir ao Criador.

Como esses conceitos totalmente independentes podem ser idênticos?

O objetivo da criação consiste em criar o homem neste mundo, para que ele possa transpassá-lo, indo ao Criador, enquanto ainda vive em seu corpo físico. O homem ascende e atravessa mundos espirituais para alcançar o Criador. Mais exatamente, os mundos espirituais o penetram em uma tal extensão que ele e o Criador se tornem idênticos. É isto o que significa a união com o Criador. A pessoa ama o Criador, segue Seus caminhos, e observa Seus mandamentos. Nesse nível, todas as qualidades, desejos e atributos tornam-se iguais aos do Criador.

A Torah foi dada ao homem para que ele possa acessar esse nível perfeito e eterno e cumprir o propósito da criação. A Torah somente pode ser dada ao homem após sua descida neste mundo, em que ele é dotado de um corpo físico e egoísmo. Anjos não podem receber a Torah porque, entre todas as criaturas, somente o homem possui absoluto egoísmo.

Se o homem escolhe o caminho da Torah, ele pode neutralizar seu corpo egoísta e desejos, de tal modo que eles não mais ajam como obstáculo entre ele e o Criador. O homem e o Criador se unem. Essa união é um regresso ao Estado de Procriação, antes da descida da alma a este mundo, antes que a alma fosse “aleijada” pelo egoísmo. Além disso, corrigindo seu egoísmo o homem pode galgar os degraus da escada espiritual e alcançar o nível do Criador. Algumas criaturas são despojadas de egoísmo e assim não têm ferramenta para progredir, e permanecem em seu nível inicial.

Exceto pelo homem, todas as criaturas são consideradas “espiritualmente inanimadas, sem movimento”. Até mesmo os anjos, as forças divinas através das quais o Criador rege a criação, não são “forças-desejos” independentes, mas somente executores da Sua vontade. O homem, transformando seus extremamente evoluídos desejos egoístas, pode tornar-se igual ao Criador.

A alma é uma parte do Criador, instalada no homem. O homem nasceu com um envelope de egoísmo e não consegue perceber nem o Criador, nem nada espiritual. O egoísmo permeia seus órgãos sensoriais, que possuem qualidades opostas à espiritualidade. Quando o homem transforma seu egoísmo em altruísmo, removendo o envelope egoísta, ele começa a perceber a essência da criação de um modo que nada mais o separa do Criador. Nesse ponto, os três conceitos mencionados acima se unem.

Nossa tarefa é remover, com a ajuda da Torah, todos os obstáculos entre a alma e o Criador. Entre todos os estudos da Torah a Kabbalah é o mais eficiente, porque atrai até o homem um raio de luz da mais alta intensidade enquanto ele está estudando.

Egoísmo

Não há nada parecido com movimento de um mundo para outro no “espaço” espiritual. Há somente estados internos, que nos capacitam a perceber nosso envelope interno. É o Criador que nós percebemos, mas essa percepção é nublada por telas representando as diferentes manifestações de nosso egoísmo. À medida em que os obstáculos são progressivamente suprimidos, a percepção do Criador, criação e espaço, é progressivamente revelada, mas não temos consciência disso. As porções de egoísmo que nós removemos correspondem aos degraus da escada espiritual ou “mundos” que ascendemos.

Os mundos não são nada mais que degraus da percepção que temos do Criador.

O egoísmo, que separa nossa percepção do verdadeiro conhecimento, somente pode ser encontrado no homem. A ausência do Criador somente é sentida pelo homem, que dissimula os mundos de si mesmo, como se estivesse se escondendo atrás dos véus de seu próprio egoísmo.

A remoção do egoísmo não acontece de uma vez. No começo, o Criador fornece ao homem períodos de tempo correspondentes a vidas neste mundo, como oportunidades para se elevar espiritualmente. O homem é o mestre desse processo. Durante cada uma de suas vidas consecutivas, o homem precisa remover uma certa parte de sua natureza egoísta e aproximar-se do Criador. O homem repetirá novas vidas enquanto não se corrigir. Correção significa que seus desejos, denominados “corpo” pela Kabbalah, não mais formarão uma barreira entre ele e o Criador. Quando isso ocorre os atributos do homem o ligarão com o Criador, não importa o mundo em que o homem se encontre.

O abandono do próprio envelope egoísta é chamado “morte terrestre”, conduzindo ao renascimento em nosso mundo. As partes corrigidas do egoísmo da alma se fundem e acontece uma espécie de “redistribuição”. Isso é porque todas as almas são apenas uma criação e todos os envelopes são apenas puro egoísmo. A correção da alma original tornou-se possível mediante a fragmentação da única criação, a alma de Adam, em várias partes. Essas partes são almas individuais e é mais fácil corrigir cada fragmento do que corrigir o total.
Isso explica por que as almas se movem de um mundo para outro durante sua correção. Quando a correção se completar, todas as almas individuais serão reunidas novamente no desejo primordial. A alma primordial receberá toda a luz do Criador, revelando sua perfeição.

Isso é, definitivamente, somente o mundo sem fim, o mundo da perfeita união com o Criador. Fora desse mundo, tudo o que o homem percebe não são mais do que fragmentos da infinita perfeição, o mundo sem fim.

Um fragmento do mundo sem fim é chamado “Adam Kadmon”; o próximo, “Atzilut”, então “Briah”, “Yetzirah” e “Assiah”. O menor fragmento do mundo sem fim corresponde ao nosso mundo. Em outras palavras, o mundo sem fim, tal como o percebemos com nossos sentidos, contrai-se para atingir a dimensão de nosso mundo. Quando nossa percepção se amplia nós podemos chamar este mundo, por exemplo, de mundo de Briah e assim por diante. Tudo depende do alcance de nossa percepção.

O objeto de nossos estudos é apenas o homem. Além do homem e de suas sensações há apenas o mundo sem fim. A Malchut do mundo sem fim precisa atravessar várias correções.

Nada é criado em vão. O Baal HaSulam cita o exemplo de um pequeno inseto na floresta, consumindo toda a sua vida na busca por alimento, e cuja existência é totalmente desconhecida. Até mesmo esse inseto e todas as suas partes são muito importantes para o cumprimento do propósito extremo.

Nada é criado em vão pelo Criador, e todos os eventos acontecem em harmonia com o objetivo do qual estamos nos aproximando. No que nos diz respeito, esse processo acontece nós queiramos ou não, quer o compreendamos ou o ignoremos totalmente. Tudo progride em direção ao cumprimento da correção assim como foi planejada pelo Criador, na direção de Sua completa revelação para todas as criaturas neste mundo.

As diversas partes de Malchut do mundo sem fim diferem na intensidade de seus desejos. Elas correspondem, em nosso mundo, às partes do reino natural – mineral, vegetal, animal, humano. Similarmente, a humanidade é composta de várias espécies de pessoas.

Por que, então, nós estudamos o homem tão intimamente e não, digamos, a correção espiritual que as pedras, por exemplo, precisam cumprir? Elas não foram colocadas em nosso mundo para atingir o propósito da Criação?

O homem é diferenciado. A correção da natureza depende da correção humana. Trabalhando sobre si mesmo, o homem “anima” a natureza a alcançar o estado de completa correção.

Porém, o próprio homem não recebeu a Torah de nosso mundo do mesmo modo: os povos do mundo receberam 7 mandamentos, os judeus, 613. Esses mandamentos também são observados de modos diferentes, conforme o número de correções que uma alma precise fazer quando vem a esse mundo. Nascer na nação dos judeus não garante nenhum privilégio especial. Os judeus têm mais correções a desempenhar, os outros, menos.


Preceitos e Espiritualidade

Os indivíduos precisam observar as mitzvot de acordo com suas naturezas. Porém, isso não depende de seu desejo de se aproximar do Criador; muitos crentes e não crentes nunca se fazem perguntas sobre o Criador, o propósito da Criação, correções e assim por diante.

Esses homens simplesmente não receberam, do alto, o desejo de se transformarem e cumprem mecanicamente o que a tradição lhes ensinou. São esses gestos mecânicos que diferenciam os homens, as nações, homem e mulher, crianças e adultos.

Claramente, o homem que deseje se elevar espiritualmente recebeu esta aspiração do Criador. Assim, ele será diferente de outro homem que não tenha recebido a mesma aspiração do alto.

Por isso, os homens não devem ser diferenciados segundo sua aparência, raça ou gênero. Não faz diferença se eles podem estudam Kabbalah ou não. Aqueles que estudam são simplesmente os que receberam o chamado do alto e expressam o desejo de estudar. Entre as mulheres há também exemplos como as profetizas Deborah e Hulda, que também foram Kabbalistas.

Anjos são robôs que desempenham certas tarefas no mundo espiritual: eles “movem” coisas de um lugar para “outro”, nada mais. Eles não podem crescer espiritualmente ou se mover através de vários níveis espirituais, como os seres humanos. Eles são forças espirituais agindo em cada nível espiritual.

Graus de profecia resultam dos esforços pessoais. Em nosso mundo há somente o Criador, o homem e o caminho levando o homem ao Criador, que é chamado Torah. O ambiente do homem (sociedade, família, amigos), são apenas revestimentos que o separam do Criador, e através dos quais Ele nos influencia. O homem é colocado em situações freqüentemente complexas e insuportáveis, que às vezes o levam a sofrimento e decepções.

Como nós viemos para o Mundo

O Criador remove de Si uma parte minúscula (por assim dizer), e implanta, nela, egoísmo. Esse egoísmo “universal” então rompe-se em partes egoístas menores. Após, uma progressiva reintegração dessas partes causa a criação dos Mundos Superiores, Atzilut, Briah, Yetsira, Assiah. Os “fragmentos” mais puros são usados para a criação dos mundos espirituais mais elevados. Mais tarde, os desejos mais egoístas, o próprio coração da criação, a Malchut do Mundo Sem Fim, faz surgir a criação da alma de Adam, o primeiro homem. Então, após o pecado de Adam, novamente a centelha de Divindade, aprisionada em egoísmo, subdivide-se de novo em partes menores e menores, que formam nossas almas.

Os principiantes no estudo da Kabbalah frequentemente não percebem como o mundo é governado. Eles perguntam quais ações dependem de nossa escolha, e quais dependem do Criador? Antes que o homem possa lançar um projeto ele precisa estar convencido de que suas ações têm conseqüências. Mas mesmo após ter obtido sucesso, “paradoxalmente”, ele precisa compreender que tudo depende somente do Criador. Se ele pensar desse modo, progredirá corretamente.

Há coisas que somente podem ser sentidas, e não, explicadas. A encarnação do espiritual no material é difícil de descrever em palavras. A ciência moderna pode se justificar, mas como é possível explicar o processo através do qual um mundo toma a forma de outro? As explicações Kabbalisticas somente são possíveis acima do ponto em que a alma de Adam se fragmentou. Isso não é assim porque os Kabbalistas não querem fornecer maiores explicações, mas porque a explicação pertence àquilo que o homem sente e não pode explicar.

O egoísmo é uma força espiritual tão poderosa que o pensamento de livrar-se dele raramente sequer atravessa nossa mente. Para nos conhecermos nós precisamos nos observar de fora, para sentir algo diferente do que nós mesmos, para nos compararmos a algo fora de nós.

Os objetos em volta são percebidos porque eles são feitos do mesmo egoísmo; de outra forma, eles permaneceriam invisíveis. O egoísmo toma várias formas. Sua forma mais restrita é aquela que somente pode perceber a si mesma. Essa é a percepção que o homem tem de nosso mundo. Nós somos tão egoístas que somente conseguimos perceber a nós mesmos.

Quando nós “crescemos” um pouco, nosso egoísmo alcança além dos limites de nosso mundo e nós começamos a perceber o Criador. Nosso egoísmo torna-se espiritual. Nosso desejo não mais se baseia em prazer físico ou mundano, mas em contentamento espiritual trazido pela luz do Criador.

O homem é movido somente por desejos conscientes ou inconscientes. Nossa razão nos é dada para nos ajudar a fazer sentido e atingir todos os nossos desejos. Por isso o homem não pode ascender acima de seus desejos. Motivado por seus desejos e emoções, o homem primeiro direciona o curso de suas ações e se torna teleologicamente consciente delas somente após a escolha.

De fato, como ele se torna consciente de um evento, que acontece? Em reação às ações do homem o Criador manifesta sua Onipotência por graus, de modo a dar ao homem uma retrospectiva mais consciente das conseqüências de suas ações. Mesmo a lembrança de nosso modo de agir depende do Criador. Ele nos ensinará o significado de nossas ações respondendo-nos, dando-nos prazer o sofrimento de acordo com nosso mérito ou culpa.
Assim, nossa educação é um processo, que nos desenvolve a cada segundo, mas ela não pode fazer com que nos corrijamos de modo algum. Nós apenas precisamos nos tornar conscientes de nosso egoísmo e do quanto somos impotentes quando o confrontamos. O Criador cuida de todas as coisas que não são pare dessa consciência. Quanto mais o homem avança num caminho espiritual, mais ele modera sua auto-estima e mais ele entende sua verdadeira natureza. À medida em que o Criador Se desvela, gradualmente o homem compreende o que realmente ele é com relação ao Criador.

Quando compreendemos isto, progredimos no caminho espiritual. Imagine uma pessoa que tenha completado 99% de sua correção. O 1% remanescente que ainda não foi corrigido parece muito maior que os 99% anteriores. O “cisco no olho” parece enorme. Nossas ações e nosso estudo nos capacitam a nos tornarmos conscientes do Criador e de nós mesmos. Quando o homem compreende sua absoluta insignificância ele se desespera. Ele não vê o Criador e o mundo inteiro lhe parece escuro. Se durante esse estado de escuridão, o homem tiver em mente que a fonte espiritual de tudo não é nada além do Criador, a quem ele pode pedir coisas, e de quem dependem todos os assuntos, ele se tornará consciente de sua ligação espiritual com o Criador. Então, ele deixará de se desesperar. Ele compreenderá que todas essas condições aparentemente negativas são enviadas temporariamente do alto e que elas são inevitáveis.
O modo pelo qual nos conectamos ao Criador não importa para Ele. O mais importante para o homem é entender que Ele existe. O Criador envia desejos e assim, nós devemos reagir a Ele e crescer espiritualmente.


A intenção por trás de nossos gestos

Eu não me faço compreender muito bem e isso é meu problema. Quando se dá ênfase ao desenvolvimento espiritual e interno, a observância mecânica não é posta de lado. Ela simplesmente não é evocada. A atenção é focalizada na intenção por trás do mandamento e não em sua observância física. Uma terceira parte pode concluir que a observância física é negligenciada.

Foi dito: “um mandamento sem intenção é como um corpo sem alma” (mitsvah bli kavanah keguf bli neshamah). A diferença entre kabbalistas e crentes, não-crentes, judeus, goyim (gentios), reside no fato de que Kabbalistas querem desenvolver a intenção colocada no interior dos gestos. Eles não encaram os gestos como tais. Seu modo de observar os mandamentos concerne à Torah revelada (convencional); ele está descrito no Código de Leis Judaicas (o Shulchan Arukh). As leis descritas nesse código devem ser seguidas por todos. Elas são fáceis de compreender e não exigem pré-requisitos. A intenção colocada no desempenho dos preceitos não tem importância e os mandamentos não transformam o homem, ou o obrigam ao crescimento espiritual. Esses mandamentos podem ser desempenhados repetidamente por um indivíduo sem modificar a pessoa egoísta que ele era quando se tornou um observante.

Normalmente a observância da lei é uma questão de educação. Não se pergunta à pessoa se ela quer observar os mandamentos ou prefere ser livre para agir de certo modo. A pessoa é educada desde o berço e seu comportamento é condicionado por hábitos. Esses hábitos são chamados “guirsa de yankuta”. Promessas de todas as bênçãos deste mundo e do mundo vindouro fortalecem esses hábitos. Como o homem é egoísta, ele aprecia e aceita essas promessas. Além disso, são-lhe oferecidas várias condições, muito melhores do que aquelas das pessoas comuns que não seguem os mandamentos.

Tempos modernos

Atualmente, porque almas espiritualmente “maduras” desceram ao nosso mundo, a educação mencionada acima tornou-se insuficiente. O homem precisa deixar sua intenção ser modificada para realizar seus desejos. A Kabbalah capacita o homem a transformar suas intenções egoístas em altruístas. Usando uma tela (massach), a pessoa começa a trabalhar em seus desejos auto-orientados com a intenção de dirigi-los ao Criador.

O processo de correção do egoísmo é chamado “a observância espiritual dos mandamentos”. O homem é dotado de desejos de modo a que possa desenvolver sua intenção para usa-los “direcionando-os ao Criador”. Esses desejos não eram dele enquanto ele não tinha a capacidade de criar uma tela (massach).

Esses desejos são novos; eles são de natureza espiritual, o que significa que eles correspondem ao desejo de se regozijar na divina presença. Esses desejos são cultivados em um homem capaz de construir uma tela na forma de desejos egoístas de se regozijar no Criador. Esses desejos são chamados “klipot” (conchas) ou “desejos impuros”. Nesse estágio o homem ultrapassa desejos mundanos tais como sexo, riqueza, fama, poder, e anseia por mais prazeres espirituais.

Há 613 desejos impuros. Eles nascem no homem e se agrupam desde os mais fáceis até os mais difíceis de corrigir. Quando o homem adquire uma tela contra receber para si mesmo (klipa), e se provê duma intenção “orientada para o Criador” (kedusha). Os desejos corrigidos então podem receber a “luz” espiritual, sentir o Criador, e levam à alegria de ter equivalência de forma com o Criador.

A correção dos desejos corresponde ao que é chamado a observância dos mandamentos. A luz espiritual recebida é a percepção do Criador, que corresponde à Torah. Está claro que a observância física dos mandamentos difere de sua observância espiritual. É exatamente porque aquele que observa um mandamento vive em ambos os mundos, que é possível reconciliar em si mesmo os dois modos de observância.

Do que foi dito, segue-se que a observância física de um código de leis não afeta os mundos espirituais. É isso que significa a frase “um mandamento sem intenção é como um corpo sem alma” – espiritualmente morto. Um mandamento não pode ser inspirado por uma intenção “li shemah”, quando os gestos que lhe correspondem não se referem a uma observância espiritual. Um homem pode não ter mãos e ainda assim observar todos os mandamentos espirituais que requerem “mãos espirituais”, isto é, desejos espirituais.

Nossa alma refere-se a um corpo, “partzuf”. Ela se compõe de 613 partes, os atributos de nosso corpo biológico. Cada uma das 613 partes desse “corpo” espiritual, desse partzuf, corresponde a um desejo específico. O partzuf se divide em duas partes, dois tipos de desejos: aqueles que correspondem ao desejo de doar sem restrições (lehashpia al menat lehashpia) e os que correspondem ao desejo de receber sem restrição, mas não para a própria satisfação (lekabel al menat lehashpia).

Divisão dos desejos

Os 613 desejos da alma se dividem em 248 desejos positivos, através dos quais o homem pode adquirir uma intenção “li shemah”, e 365 desejos negativos, que o homem não pode usar, para ganhar uma intenção “li shemah”. A diferença entre os dois desejos não tem nada a ver com intenção. Em ambos os casos a intenção é naturalmente e exclusivamente “voltada para o Criador”. A diferença está no poder do próprio desejo: se o desejo é fraco ele não despertará prazer intenso. Porém, esse desejo capacita a pessoa a sentir a ligação com o Criador. O prazer que se sente é chamado o prazer de doar sem restrição. Isso quer dizer o desejo de agradar ao Criador, já que somente é possível agrada-Lo recebendo Dele. Mas já que esse desejo não pode ser sentido com intensidade suficiente, ele não pode doar realmente ao Criador. Esse desejo existe somente no nível de equivalência de forma com o Criador.

Todos os desejos nascidos no homem são desejos egoístas. Esse é o desejo de receber para seu próprio prazer. Somente a intenção “voltada para o Criador” poderá transforma-lo em desejo altruísta. Por isso a diferença reside somente na intenção.

É isto que faz a Kabbalah tão importante. Ela nos ajuda a transformar nossa intenção. A intenção “voltada para o Criador” é chamada “tela” porque evita que a pessoa “receba para si mesma”, e gera a intenção “voltada para o Criador”.


O Nascimento da Alma

Essa transformação é chamada “o nascimento” da alma porque a alma corresponde aos desejos voltados para o Criador. Quando essa fase tem lugar, ela revela a alma do homem. É a intensidade desse novo desejo que ajuda o homem a começar a sentir o Criador. Esse desejo de receber prazer aliado a uma intenção “voltada para o Criador”, preenche-se com Sua presença, bênção espiritual e luz (todos esses são sinônimos da mesma e única sensação).

As intenções corretas aparecem progressivamente ao longo do estudo da Kabbalah. A Kabbalah é a ciência da intenção (kavanah), que capacita o coração do homem a ansiar por espiritualidade. Se o homem estuda Kabbalah mas não promove uma mudança altruísta em sua intenção enquanto estuda, isso corresponde ao período “lo li shemah”, durante o qual não há orientação na direção do Criador. Nesse estágio o homem ainda trabalha para si mesmo e pertence aos seus desejos egoístas, ao

nosso mundo. Esse é o nível que precede a ultrapassagem do machsom (barreira).

Se o homem não se importa com a transformação de sua intenção, ele não está no nível “lo li shemah”. Os gestos que ele faz não têm vida. Porém, todos os seres precisam, ao final, retornar ao Criador. A mudança de perspectiva também acontecerá para aqueles que observam mecanicamente. Eles serão obrigados a clarificar sua relação com a vida, com a sua fonte, o Criador, e a se mover do “lo li shemah” para o “li shemah”. Em qualquer caso os gestos físicos se justificam mas o homem deve se esforçar para ultrapassar seus limites. Isso é o que faz os Kabbalistas diferentes.

Se o Messias é uma Força ou um Homem

O messias é uma força espiritual, é a Luz que penetra os desejos humanos auto-orientados, para corrigi-los de modo que eles possam tornar-se altruístas, ou seja, idênticos àqueles do Criador. Em nosso mundo todas as forças espirituais se manifestam em revestimentos materiais.

Por exemplo, o Rabbi Shimon, o ARI, Yehuda Ashlag, representam uma força espiritual que irradia a Luz da correção. Essa força aparece em nosso mundo como um homem, um kabbalista, um professor, o autor de um livro. Assim o Messias é um guia que se torna progressivamente aceito pela humanidade. A humanidade irá seguir o caminho indicado pelo Messias porque o mal e o sofrimento serão sentidos por todos e não haverá outra saída. As pessoas permanecem em um nível em que não conseguem imaginar a vinda do Messias como uma Luz, mas apenas como um líder humano. Mas para os Kabbalistas o Messias é a força espiritual da correção (na imagem do mundo de A’B-SA”G).

 

Autor: Rabbi Michael Laitman
Tradução do Inglês: Luiz Oliveira e Eduardo Franco


Não há Ninguém além do Criador

Agosto 20, 2007

Está escrito que “não há ninguém além do Criador”, o que significa que não há nenhum poder no mundo capaz de fazer alguma coisa contra Sua Vontade.

E se o homem vê que há coisas neste mundo, que negam o domínio do Alto, é porque Ele quer assim.

E considera-se uma correção, chamada “a esquerda rejeita e a direita acrescenta”, significando que aquilo que o lado esquerdo rejeita é considerado uma correção. Isso significa que há coisas no mundo, que por princípio estão destinadas a desviar a pessoa do caminho correto, e mantê-la distanciada da santidade.

O benefício dessas rejeições é que através delas a pessoa recebe a real necessidade e um completo desejo pela ajuda de Elohim, pois vê que de outra forma está perdida.

Não apenas ela não progride em seu trabalho, como vê ainda que regride, e que lhe falta a força para sequer observar a Torah e as Mitzvot, mesmo que não seja em Seu nome. Porque somente se superar genuinamente todos os obstáculos, acima da razão, ela pode observar a Torah e as Mitzvot.

Mas nem sempre ela tem a força para ir acima da razão, porque se ocorresse o contrário, Elohim proíba, ela seria forçada a se desviar do caminho do Criador, e não agir pelo Seu nome.

A pessoa sempre sentiu que o fragmento é maior que o total, o que significa que há mais descidas que ascensões. Ela não vê uma finalidade para esses apuros, e sempre se sente excluída da santidade, porque vê que é difícil para ela observar até mesmo uma insignificância, se não agir acima da razão, mas nem sempre ela é capaz de agir assim. E qual será o fim de tudo isso?

Então essa pessoa entende que ninguém pode ajudá-la, a não ser o próprio Elohim. Isso faz com que ela dirija um pedido sincero ao Criador para que abra seus olhos e coração, e a aproxime da eterna adesão a Elohim. Ela compreende, então, que todas as rejeições que ela experimentou vieram do Criador.

Isso significa que as rejeições que ela experimentou não aconteceram por sua culpa, ou por que não era capaz de prosseguir, mas sim porque essas rejeições são para aqueles que verdadeiramente querem se aproximar de Elohim. E para que essa pessoa não se satisfaça com apenas um pouco, mais precisamente, para que não permaneça como uma criança sem conhecimento, ela recebe ajuda do Alto, de modo a que não seja capaz de dizer que “graças a Elohim, ela observa a Torah e pratica boas ações, e portanto, o que mais ela poderia pedir?”

Só se essa pessoa tiver um verdadeiro desejo, ela receberá ajuda do Alto. E lhe são mostradas constantemente as suas faltas no estado presente, isto é, são-lhe enviados pensamentos e opiniões que trabalham contra seus esforços. Isto é para que ela veja que ela não está unificada a Elohim. E quanto mais ela supera, mais percebe o quão longe da santidade ela se encontra, por comparação aos outros, que se sentem unificados a Elohim.

Mas essa pessoa, por outro lado, sempre tem suas queixas e exigências, e não consegue justificar o comportamento do Criador, nem o modo como Ele age com relação a ela. E isso vai lhe provocando dor, porque ela não se sente unificada ao Adonay, até que chegue a sentir que não tem participação nenhuma na santidade.

E embora ela seja ocasionalmente despertada pelo Alto, e isso momentaneamente a reavive, logo ela cai novamente em um abismo. Porém, é isso que lhe faz compreender que somente Elohim pode ajudar e realmente atraí-la para mais perto.

A pessoa sempre deve tentar se aproximar do Criador, isto é: tentar fazer com que todos os seus pensamentos se refiram a Ele. Isso quer dizer que mesmo que ela esteja no pior estado, do qual não possa haver uma grande queda, ela não deve abandonar Seu domínio, isto é, não deve pensar que há outra autoridade que o afaste de entrar na santidade, e que tenha o poder de beneficiar ou ferir.

Portanto a pessoa não deve pensar que é o poder do Outro Lado (sitra achrah), que não lhe permite praticar boas ações e seguir os caminhos de Elohim, mas sim, que tudo isso é determinado pelo Criador.

Como dizia o Baal Shem Tov, aquele que afirmar que há outro poder no mundo, isto é, conchas, está num estado em que “serve a outros Elohimes”, ainda que não pense, necessariamente, em cometer o pecado da heresia; mas se ele pensa que há outra autoridade e força, que não o Criador, desse modo ele está cometendo um pecado.

Além disso, aquele que diz que o homem tem sua própria autoridade, ou seja, aquele que diz que ontem ele mesmo não quis seguir os caminhos de Elohim, esse também se considera como tendo cometido o pecado de heresia. Isso significa que ele não acredita que somente o Criador conduz o mundo.

Quando a pessoa comete um pecado, certamente deve se lamentar por isto e se arrepender por tê-lo cometido, mas aqui também nós devemos colocar a dor e a lástima na ordem correta: aquilo a que ela atribuir a causa do pecado, é nesse ponto que ela deve se arrepender.

A pessoa então deve se arrepender e dizer: “eu cometi esse pecado porque o Criador me lançou abaixo da santidade, em um lugar imundo, no lavatório, onde está a imundície”. Isso é o mesmo que dizer que o Criador lhe deu um desejo e um apetite por se divertir e respirar o ar de um lugar mal-cheiroso. (E também se pode dizer, como está nos livros, que às vezes o homem encarna no corpo de um porco, e então ele recebe um desejo e o apetite por manter-se com coisas que ele já teria decidido que eram lixos, mas agora ele novamente quer se reavivar com elas).

E também, quando a pessoa sente que está em um estado de ascensão, e sente algum prazer no trabalho, ela não deve dizer: “agora eu estou em um estado em que compreendo que é valioso servir a Elohim”. Melhor seria que soubesse que agora o Adonay a notou, e por isso a atraiu para Si, o que é a razão pela qual ela sente prazer no trabalho. Ela deve tomar o cuidado de nunca abandonar o domínio da santidade, nem dizer que há outra força operando, além do Criador. (Mas isso significa que a questão de encontrar favor aos olhos do Adonay, ou o oposto, não depende do homem, mas sim, que tudo depende de Elohim. E o homem com sua mente superficial, não consegue compreender por que o Adonay agora gosta dele e após, não gostará).

E igualmente quando a pessoa lamenta que o Criador não a traz para perto, ela também deveria ter cuidado para não se queixar por ter sido distanciada do Criador, pois fazendo assim ela se torna um recipiente para seu próprio benefício, e aquele que recebe é separado do Criador. Melhor seria que ela lamentasse o exílio da Presença Divina, isto é, por infligir tristeza à Presença divina.

A pessoa deveria tomar como exemplo a ocasião em que algum pequeno órgão está dolorido. A dor é sentida principalmente no coração e na mente, que são a generalidade do homem. E certamente a sensação de um simples órgão não se assemelha à sensação da completa estatura da pessoa, onde a maior parte da dor é sentida.

Igualmente é a dor que a pessoa sente quando ela é distanciada do Adonay, já que o homem é apenas um órgão da Presença Divina, pois a Presença Divina é a alma de Israel em geral. Assim a sensação de um simples órgão não se assemelha à sensação da dor em geral. Isso significa que a Presença Divina lamenta que haja partes dela mesma que estejam distanciadas, e que ela não pode ajudar. (E esse pode ser o significado das palavras: “quando o homem lamenta, a Presença Divina diz: isto está mais leve que a minha cabeça”). E se o homem não relaciona a ele mesmo a tristeza de estar distanciado de Elohim, ele é salvo de cair na armadilha do desejo de receber para si mesmo, que é a separação da santidade.

O mesmo se aplica quando alguém se sente um tanto mais próximo da santidade. Quando ele está feliz de ter merecido favor aos olhos do Adonay, ele precisa dizer que o centro de sua alegria é que agora há alegria na Presença Divina, por ter conseguido trazer seu próprio órgão para mais perto, e não rejeitá-lo.

E o homem se alegra por ter sido dotado com a capacidade de agradar à Presença Divina. Do mesmo modo, a alegria que um indivíduo sente, é apenas uma parte da alegria que o total sente. E através desses cálculos ele perde seu individualismo, e evita cair na armadilha do Outro Lado, que é o desejo de receber para si mesmo.

Todavia, o desejo de receber é necessário, pois é isso o que constitui uma pessoa, e nada existe numa pessoa além do desejo de receber que lhe é atribuído pelo Criador. De qualquer forma, o desejo de receber prazer deve ser corrigido para adquirir a forma de doação.

Isso quer dizer que o prazer e a alegria, sentidos pelo desejo de receber, devem ter a intenção de transmitir contentamento ao Alto, em razão do prazer que acontece abaixo. Pois esse foi o propósito da criação, de beneficiar Suas criações. E isso é chamado à alegria da Presença Divina acima.

Por essa razão, o homem deve buscar conselho sobre como ele pode causar contentamento acima. E certamente, se ele recebe prazer, o contentamento será sentido acima. Assim, ele deve ansiar por estar sempre no palácio do Rei, e por ter a capacidade de lidar com os tesouros do Rei. E isso certamente causará contentamento acima. Conclui-se que seu inteiro anseio deve ser em prol do Criador.


SEFIROT, AS DEZ EMANAÇÕES DIVINAS

Agosto 20, 2007

Rabi Moisés de Leon, cabalista espanhol do século XIII, escreveu: “As dez sefirot são o segredo da existência, o aparato da sabedoria, o meio pelo qual os mundos de cima e de baixo foram criados”.

Segundo o Zohar, D´us deu forma e conteúdo à Sua Criação através das dez sefirot. Toda a realidade, tanto espiritual quanto material, é criada por meio destas que são vistas como “forças fundamentais”, “recipientes” da atividade de D´us. As sefirot são “canais” através dos quais a energia Divina flui, permeia e se torna parte de cada coisa que existe, criando assim uma “corrente espiritual” que liga e vivifica todas as coisas, impregnando-as da Essência Divina. As leis que regem o fluxo destas energias foram estabelecidas durante o processo da Criação, que pode ser vista como uma progressiva transformação de níveis de energia espiritual. Nesta progressiva transformação, foram criados universos espirituais paralelos, sendo o nosso mundo o último desta corrente.

Em nosso mundo, a Luz está mais afastada da sua Fonte Divina, portanto D´us está mais “escondido” de nós e, por isso, este mundo é espiritualmente inferior aos outros. Mas, ao mesmo tempo, é superior por ser a meta e o fim da Criação Divina. Nele, o homem -única criatura com livre arbítrio - pode afetar, por meio de suas ações, o fluxo das Energias Divinas, criando mudanças de grande proporções em outros mundos. Com isto poderá aperfeiçoar o Cosmo e fazer com que a Criação vá aproximando-se de sua meta Divina.

Nos textos cabalísticos podemos encontrar enumeradas onze sefirot. No entanto, como duas destas - Keter e Da’at - representam dimensões diferentes de uma mesma força, ambas se excluem mutuamente. Por isso, a tradição geralmente fala de dez sefirot. O Zohar, Livro do Esplendor, a obra central da Cabalá, de autoria do Rabi Shimon Bar Yochai (séc II EC) e, mais tarde, a doutrina de Rabi Isaac Luria centram-se nas sefirot. Seu conceito aparece em outras obras como o Sefer Yetsirá, atribuída ao patriarca Abraão, e o Sefer Ha-Bahir de autoria de Rabi Nechunia ben ha-Kanah.

As sefirot parecem estar envolvidas em um mistério, de difícil compreensão, já que além de serem puramente espirituais, possuem inúmeros e complexos níveis de significado, inúmeras interpretações e implicações. Podemos até vislumbrar como agem, mas só alguns sábios espiritualmente elevados, verdadeiros mestres da Torá, chegam a compreender sua essência e seus segredos.

Por que, então, estudar ou se preocupar com assunto tão indecifrável? Porque, como escreveu Rabi Moisés de Leon, as sefirot são o segredo da existência e de nós mesmos, o segredo de como nos aperfeiçoamos, aperfeiçoando, ao mesmo tempo, o mundo à nossa volta.

O que é uma sefirá

Cada sefirá é um modo ou um poder específico através do qual D’us governa e sustenta o Universo. Por isso, as sefirot podem ser consideradas como “atributos” ou “qualidades”, ou ainda, “vestimentas” Divinas. Quando pedimos a D´us que use conosco de Sua Bondade Absoluta e nos abençoe com a Sua Abundância, estamos pedindo para que Ele se releve através do atributo da sefirá Chessed.

Podemos dizer que as sefirot são a “matéria-prima” do Cosmo, o “código genético” que pode ser identificado em todos os níveis e dentro de todos os aspectos da Criação. Tudo o que foi criado - do mais espiritual ao mais material, do maior ao menor - toma forma através das sefirot. Segundo nossos sábios místicos, por este motivo elas constituem o paradigma conceitual para se entender a Criação.

O Rabi Isaac Luria, o Arizal, afirmava que as sefirot são “tanto os instrumentos que D´us usa para dirigir o mundo, quanto as janelas através das quais podemos perceber o Divino”.

A palavra sefirá é relacionada com várias palavras hebraicas: Saper, que significa revelar ou se comunicar; Sapir, safira, brilho ou luminárias; Safar, contagem, número, e também com Sefar, que significa limite, fronteira. Em sua essência, todas estas palavras têm conceitos inter-relacionados e apontam para duas funções básicas das sefirot.

Em primeiro lugar são “luzes” (orot). A luz de uma sefirá é o fluxo de energia Divina que está em seu interior e serve para revelar ou expressar a grandiosidade Divina. Em segundo lugar são “vasos” ou “recipientes” (kelim) que “filtram” ou “revestem” a Luz Infinita que as preenche. Trazem esta Luz desde a Fonte de Todas as Fontes, Raiz de todas as Raízes, D´us Infinito, o Ein Sof, até nosso mundo finito. Sem estes “filtros” ou “vestimentas” a Criação seria totalmente dominada pela Luz Divina. Em sua trajetória espiritual, a Luz vai diminuindo, possibilitando que a Criação se aproxime do Criador.

Para tentar entender estes conceitos, pensemos por um instante no sol, uma das menores estrelas criadas por D´us neste universo. Apesar de posicionado a milhões de quilômetros da Terra, sua energia nos dá luz e calor indispensáveis. Mas, se tentarmos fitá-lo, sem proteção, sua luz nos cegará. Imaginemos uma nave espacial tentando aproximar-se do sol. O calor e a energia a aniquilariam !

Do ponto de vista humano, as sefirot podem parecer possuir existência múltipla e independente. Uma sefirá representa a força e o poder do julgamento rigoroso; outra, a bondade e o amor; outra, a misericórdia e assim por diante. Porém, as sefirot e o Ein Sof formam uma unidade, uma existência única.

Moisés Cordovero, cabalista do século XV escreveu a este respeito: “Para ajudar-te a conceber o processo da emanação das sefirot, imagina a água que escorre por vasos de diferentes cores: branco, vermelho, verde e assim por diante. À medida em que a água se espalha nesses vasos, parece adquirir a cor do vaso, embora seja desprovida de cor. A mudança na cor não afeta a água em si, mas apenas a nossa percepção da mesma. O mesmo acontece com as sefirot. A essência não muda; só parece mudar quando escorre dentro dos vasos “.

De onde vêm? O processo de emanação

Numa interpretação mística, o primeiro capítulo de Gênese, ao relatar a Criação, descreve um início, o mais primordial: revela o processo da saída de D’us das profundezas Dele mesmo e a emanação das dez sefirot, ou seja, sua emergência de dentro do Ein Sof, D´us Infinito.

Para se referir a D’us os cabalistas mais antigos cunharam o termo Ein Sof, que significa literalmente “Infinito” ou “Aquele que não tem fim nem limite”. Um dos axiomas básicos da Cabala é que o homem não tem meios de entender D´us, Infinito e Imutável, nem tão pouco os Seus motivos. Porém, apesar de D’us ser ilimitado e oculto, Ele se revela a nós parcialmente - e na medida em que cada um de nós pode reconhecer o Seu poder e a Sua existência - através da Criação e das dez sefirot. Em contraste com este D’us “pessoal” das sefirot, Ein Sof representa a transcendência absoluta de D’us.

Segundo o Rabi Isaac Luria, “no início do início” a Luz de D’us Infinito, Or Ein Sof, preenchia toda a realidade, pois D’us é a própria Realidade, sem início e sem fim. Nada havia além da Luz Divina, pois nada pode manter sua própria existência dentro do Ein Sof. Para que o universo passasse a existir como entidade independente, D’us Se “ocultou” e Se “retraiu”, cedendo espaço para a Sua Criação. Esta ação não diminui, de modo algum, a Perfeição Divina. Este conceito de ocultamento da Luz Divina é chamado nos textos cabalísticos de tzimtzum (contração). Esta “contração” resultou no aparecimento de um “espaço” vazio, um “vácuo”, um “ponto” no qual o universo passou então a existir.

Rabi Haim Vital, cabalista e discípulo do Ari, ao explicar o processo dessa retração Divina, tzimtzum, dá o seguinte exemplo: “A Luz retirou-se como a água de uma lagoa quando agitada por uma pedra. Quando a pedra cai na lagoa, a água que está naquele exato lugar não desaparece, mas se afasta, incorporando-se ao restante. Desta forma, a Luz retraída convergiu-se para o além e no meio ficou o vácuo”.

No vácuo primordial criado por este tzimtzum passou a existir a ausência da Luz, a escuridão primordial. Neste “vácuo”, D’us emanou um “raio” que serviu de “condutor” da Luz Divina finita. A revelação inicial dentro do “vazio” primordial é a revelação da Luz. Em Gênese, a primeira declaração explícita da Criação foi: “D’us disse: Faça-se a luz e a luz se fez”.

A partir deste “raio” de Luz, as dez sefirot emanam de forma sucessiva e em ordem específica. É através destas que D’us - por Sua vontade - limita Sua Luz e manifesta qualidades específicas que Suas criaturas podem apreender e absorver.

De uma forma simplificada, no decorrer do processo de emanação das sefirot são criados cinco universos paralelos - olamot, quase todos espirituais em sua essência. O primeiro Adam Kadmon é completamente ligado e unido ao Ein Sof, na realidade não poderia ser chamado de universo. Segue-se o Atzilut, o mundo da emanação; Beriyá, da criação, Yetzirá, da formação, e, por último, Assiyá, o mundo da ação no qual vivemos.

As Dez Emanações Divinas

Apesar de D’us ter-Se “ocultado”, continua intimamente conectado à Sua Criação, pois sem Ele nada existe. Como vimos, agindo como um canal de ligação entre D’us e Sua Criação, as sefirot permitem a D’us , Infinito e Ilimitado, interagir com Sua Criação, finita e limitada. É através destas que o Ser Absoluto se revela e se conecta com Sua Criação. A simples relação de seus nomes não vai transmitir adequadamente sua essência. Além disso, temos que ter em mente que as imagens e símbolos são usados apenas para nossa compreensão, pois não expressam o mistério da Criação e tem que ter cuidado ao abstrair os conceitos.

A configuração gráfica das sefirot, em textos cabalísticos, é uma composição vertical ao longo de três eixos paralelos. Textos cabalísticos usam vários nomes quando referem-se à mesma: uma árvore (etz), uma escada (sulam) ou a “imagem celestial de D´us” - (tzelem Elokim).

Neste caso a configuração lembra um corpo humano. Segue-se a ordem de emanação das sefirot:

\Keter, coroa - representa a onipotência e onipresença de D’us ; a Vontade Divina Absoluta; a Soberania e Autoridade de D’us sobre todas as forças da Criação. É a primeira e mais elevada das sefirot e está além de qualquer compreensão. De tão inexprimível, às vezes nem é incluída entre as dez sefirot. É a mais próxima da Fonte Divina, é a base de toda a Criação. Keter transcende as leis que governam o universo, pois estas só passam a existir após a emanação das sefirot de Chochmá e Biná. A Cabalá refere-se a esta sefirá como o “mundo da Misericórdia”.

Chochmá, sabedoria - é o pensamento puro que D’us utiliza para o funcionamento do universo. É o poder da Luz Original, a força primordial usada para criar os céus e a terra. Chochmá é a inspiração inicial da qual o Cosmo evoluiu. É vista como “a planta” usada para a criação do universo físico e espiritual, pois contém - potencialmente - todas as leis que vão reger a Criação e os axiomas que determinam como estas leis funcionam. É a raiz dos elementos espirituais: fogo, água, terra e ar. Sua essência é também incompreensível para nós.

Biná, entendimento, a compreensão, a lógica. Com sua emanação, é criado o sistema lógico pelo qual os axiomas de Chochmá são delineados e definidos. É através da Biná que podemos começar a entender os axiomas tanto da Criação quanto do nosso próprio ser.

Da’at, conhecimento; a “lógica aplicada” de modo diferente das duas anteriores. Não é apenas o acúmulo, mas também a soma de tudo o que é conhecido. É a capacidade de juntar as informações básicas e fazê-las funcionar logicamente.

Quando Keter se manifesta, D’aat se oculta, já que são manifestações interna e externa, respectivamente, da mesma força.

Chessed, graça, amor e bondade que nos beneficiam; a grandeza (Guedulá) do amor. Esta sefirá representa o dar incondicional, o altruísmo, o impulso incontrolável de expansão. É D’us dando-se às Suas criaturas de forma irrestrita, abrindo todas as portas da Sua Abundância. D’us usou este atributo como o instrumento supremo no processo da Criação.

Guevurá - poder, justiça, o julgamento severo (Din); as forças para disciplinar a criação. Guevurá representa a contração, a restrição, a criação de barreiras. A “auto-limitação” Divina foi indispensável para a criação do Cosmo. A Cabalá se refere a esta como midat hadin, a medida ou atributo do julgamento, do rigor.

Esta sefirá direciona a energia espiritual para atingir uma meta específica. É a força que permite o controle para podermos vencer tanto nossos inimigos internos quanto os externos.

Tiferet, beleza, no sentido da harmonia. É a combinação da harmonia e da verdade, dando espaço para a compaixão. Esta sefirá está associada com o poder de conciliar as inclinações conflitantes de Chessed e Guevurá, para que haja compaixão. Na Cabalá é designada como midat harachamim, “o atributo da misericórdia”. A alma do homem emana desta sefirá pela união desta qualidade com Malchut, o corpo.

Netzach, vitória, eternidade, resistência. Esta sefirá representa a imposição Divina. É o domínio, a conquista ou a capacidade de vencer. Representa o motivo primeiro da Criação: a capacidade de vencer o mal.

Hod, esplendor, empatia. Esta sefirá permite que o poder e energia repassados sejam apropriados e aceitáveis a quem os recebe. É responsável pela criação dentro de uma relação do espaço deixado para o outro. A qualidade espiritual de Hod salienta o atributo da humildade e reconhecimento. Hod representa também a submissão que permite a existência do mal.

Yesod, fundação; alicerce representa a reciprocidade ideal numa relação. É o meio de comunicação, o veículo de transporte de uma condição para outra. Representa o lugar do prazer espiritual e físico; o vínculo mais poderoso que pode existir entre dois indivíduos, assim como entre o homem e D’us: a aliança entre D’us e Israel: o Brit Milá.

Malchut, reinado. É a Schechiná, o aspecto imanente de D’us neste mundo. É o mundo revelado onde o potencial latente é concretizado. É o poder que D’us nos deu de receber Dele. Como símbolo do receber, esta sefirá é caracterizada como aquela que não tem nada próprio. É um keli, um mero recipiente. Malchut é o último elemento de uma corrente que se inicia na Vontade Divina e encontra sua realização neste mundo. Aquele que recebe pode dar de volta, tornando-se além de receptor, um doador.

As sefirot são refletidas no homem e desta forma o homem compartilha o Divino. A pessoa que somos é determinada pelas sefirot no mundo da ação, pois são as bases de nossa personalidade individual. O “cabo condutor” ou o canal através do qual estas se manifestam, é a nossa alma.


A torah segundo a kabbalah

Agosto 20, 2007

A Torá (cinco primeiros livros da biblia) não é um rolo sagrado que tenta definir a moral e a ética adequadas pelos quais o ser humano deveria viver…

Por tradição, descreve-se a Torá como constituída pelos Cinco Livros de Moisés, em que estão inscritas as leis fundamentais de conduta moral e física.
Algumas pessoas não-religiosas vêem a Torá como um documento que registra a história, enquanto outros a vêem como uma coletânea de histórias que falam da relação de D-us com o homem e da criação do mundo.
Para o cabalista, todas essas descrições erram o alvo.
Por exemplo, o eminente cabalista R. Shimon bar Yochai, o autor do Zôhar, dizia que em sua própria geração havia grandes escritores que seriam capazes de compor histórias bem mais interessantes do que os relatos que aparecem na Torá. E ainda por cima, ele classificou todos esses rabinos, estudiosos e filósofos que tomam a Torá literalmente como inteiramente tolos.
Estas são palavras muito fortes, vindas de uma figura histórica, um conhecedor tão respeitado da Bíblia.

Concepções erradas sobre moral
A Torá não é um rolo sagrado que tenta definir a moral e a ética adequadas pelos quais o ser humano deveria viver. Esta talvez seja uma das concepções mais equivocadas da religião - um equívoco que contribuiu para 2000 anos de sofrimento, perseguição e apatia. A humanidade jamais passará por uma mudança duradoura e positiva enquanto conceitos vagos de moralidade e ética forem nossa motivação e recompensa pela bondade e pela decência. Esta pode ser uma causa nobre, mas é uma causa que por mais de dois mil anos vem fracassando em trazer-nos paz e unidade.
De acordo com a Cabala, enunciados da Bíblia como não matarás ou não roubarás não estão na Torá para nos ensinar moralidade.
O que vem a ser realmente a Torá?

O código da Torá
Quando nosso olho, o órgão físico, vê um objeto, registra-o de cabeça para baixo. Transmite então a imagem invertida para o cérebro. De acordo com a ciência, um mecanismo inverte no cérebro essa figura, de forma tal que temos agora uma percepção mental da imagem de cabeça para cima.
A Cabala diz que esse processo ocorre dentro da alma. O olho como órgão físico está conectado com o nosso mundo físico do caos - conhecido em termos cabalísticos como a “Árvore do Conhecimento”. A alma está conectada com uma realidade mais elevada com ordem e plenitude absolutas - conhecida pelo termo em código “Árvore da Vida”.
Quando nosso olho observa um objeto neste mundo físico, a imagem invertida vai para o nosso cérebro. A alma, conectada com a realidade da Árvore da Vida, pega essa informação caótica e a transforma em ordem - invertendo a imagem mental no nosso olho da mente.
Esta relação inerente entre o corpo e a alma é um processo natural do nosso universo - um processo que também se estende até a Torá do plano físico.
A Torá, como o corpo físico da sabedoria universal, também apresenta suas histórias de cabeça para baixo, invertidas. Somente a alma da Tora - a Cabala - pode reverter a imagem e nos apresentar a verdadeira compreensão e o verdadeiro significado espiritual.

Antídoto
Basta olhar para o mundo da medicina para obter uma outra instância da perspectiva cabalística do mecanismo interno da Torá. Para evitar que a doença de pólio aflija nossas vidas, a medicina moderna criou uma vacina contra a poliomielite. Dentro dessa vacina encontramos uma linhagem fraca da doença! Injetando porções mínimas da própria doença no corpo, evitamos que a doença completa se materialize.
Para a Cabala, a Torá funciona de acordo com um princípio semelhante. Quando a Torá fala de matar, assassinar, roubar e de outras ações negativas, na realidade estamos recebendo uma vacinação para evitar que essas “doenças” recaiam sobre nossas vidas. A Torá é a vacina ou o antídoto, se você preferir, que nos protege e nos cura das forças negativas e destrutivas de que fala em suas histórias.

Não matarás
Existe na Torá uma história muito famosa em que D-us ordena que os israelitas matem seu inimigo, uma nação conhecida como “Amalek”. O massacre deve incluir todos os homens, mulheres e crianças de Amalek. Essa nação inteira deve ser exterminada.
Para dizer o mínimo, é uma instrução controversa, principalmente à luz do mandamento de “não matarás”.
Como se pode conciliar o mandamento de D-us de “Não Matarás” com essa ordem para matar homens, mulheres e crianças?
A Cabala explica essa aparente contradição.
O Zôhar revela que a palavra Amalek tem o mesmo valor numérico que a palavra em hebraico para incerteza. E o que há de tão importante acerca da palavra “incerteza”?
Segundo os cabalistas, a “incerteza” é a semente de todo o mal do mundo. Todos nós temos, em algum nível:
Incerteza sobre nós mesmos. Incerteza sobre a existência de D-us. Incerteza sobre o nosso destino e sobre nossa capacidade de superar desafios. Incerteza sobre se há justiça no mundo. Incerteza sobre as recompenses associadas ao comportamento positivo, espiritual.
Por exemplo, se D-us estivesse do nosso lado, a plena vista, será que pegaríamos uns poucos “trocados” a mais do cofrinho se não houvesse ninguém mais no quarto? Será que perderíamos a cabeça e xingaríamos nossos amigos e familiares quando eles nos incomodassem? Será que mentiríamos, roubaríamos, enganaríamos, abusaríamos ou manipularíamos os outros para gratificar o nosso próprio ego?
É claro que não. Mas a Força que chamamos de D-us está oculta.
Por isso, ficamos incertos acerca da presença de D-us em nossa vida. Então, nos comportamos com intolerância. Colocamos a nós mesmos na frente dos outros. Duvidamos da existência do Criador e por isso nos sentimos confiantes de poder ficar numa boa com nosso comportamento insensível e com nossas ciumeiras pessoais e profissionais. Viramos as costas para a noção de espiritualidade e de transformação de caráter. Ficamos motivados unicamente pelo intelecto e pelo ego, e esquecidos de outros anseios que deixamos ociosos em nossa alma.

Decodificando a história
“Eu vi o inimigo, e somos nós” - Pogo.
A Cabala explica que D-us na verdade está dizendo aos israelitas - e às pessoas de todas as gerações, incluindo a nós mesmos - para matar as incertezas dentro de nossa própria natureza. Cada um de nós é um “cidadão” da nação de Amalek.
Não existe uma nação inimiga “lá fora”. O inimigo é interno. A palavra Amalek é um código que significa a incerteza que habita dentro de nossa própria mente racional.
A história da Torá está invertida.Virada pelo avesso. De cabeça para baixo. De pernas para o ar. Invertida.
As percepções espirituais ocultas por trás da história carregam a verdade!
Matar os “homens, mulheres e crianças de Amalek” significa a destruição de nossas próprias incertezas.
Os “filhos de Amalek” representam as sementes iniciais de dúvida que se insinuam em nossa mente no momento em que somos expostos a obstáculos ou a verdades espirituais. Os “homens e mulheres de Amalek” correspondem às incertezas, aos cepticismos e aos pensamentos adulterados já totalmente ampliados que nos assolam diariamente.
Este é um aspecto da Torá. Há um outro…

O objetivo da história da Torá
Essa história possui uma dimensão adicional, que forma o núcleo do objetivo último do rolo da Torá.
Siga com cuidado: Esta história específica da Torá emana influências espirituais que ajudam as pessoas a erradicar e a remover a incerteza de suas vidas. A dúvida é apagada de nossa consciência através da energia mística que flui através de cada letra e palavra da Torá.
O pergaminho, a tinta, as letras e os versículos que formam a Torá são todos componentes intricados que transformam o rolo num “gerador de força espiritual”.
Quando a Torá fala de maldições, de doenças, de fome ou de guerra, as influências que emanam desse instrumento nos inoculam com uma “vacina” para impedir que essas calamidades nos afetem.
O Zôhar extrai percepções espirituais de cada uma das porções da Torá que são lidas ao longo do ano. Cada semana oferece uma energia diferente que podemos usar em nossa vida de maneira prática.
Essas influências incluem: Cura; Prosperidade; A eliminação da inveja; A capacidade para atrair nossa alma gêmea; A força para ascender acima de nossos medos.
Sem o conhecimento espiritual que decifra a história, a Torá se torna inoperante. Ela se torna um símbolo de tradição improdutivo, em vez de ser um instrumento incrível de poder.
Ainda pior, os sábios nos dizem que se alguém simplesmente aceita a Torá literalmente -lendo-a com uma postura mental religiosa ao invés de se conectar com ela num nível espiritual - a Torá se tornará um veneno.

*Rav Berg é cabalista diretor mundial do Kabbalah Centre. Texto retirado do site www.kabbalah.com e baseado em seus ensinamentos. Adaptação e tradução de Shmuel Lemle, professor do Kabbalah Centre no Brasil.

° A Kabbalah da Prosperidade

° Os 72 Sopros de Elohim - Medite Aqui

° www.academiadecabala.com.br

° Quem Sou Eu? Uma reflexão Kabalistica.


Seja a Causa e não o Efeito

Agosto 5, 2007

A Kabbalah se utiliza bastante dos termos comportamento proativo e comportamento reativo. Proativo e reativo são duas palavras codificadas para definir a natureza da Luz e a do Receptor.

A Luz é proativa, a força que causa o processo de criação; nós, como receptores, temos uma natureza reativa.

Para que possamos adquirir similaridade de forma com a Luz e nos ligarmos a ela, temos que trabalhar para transformar nossa natureza reativa em proativa. De uma forma muito simples, podemos explicar que Ser Proativo é personificar e carregar os seguintes atributos: Ser a causa; compartilhar, estar no controle das coisas; ser o criador de novas situações.

Enquanto podemos afirmar que Ser Reativo é a soma dos seguintes aspectos: Ser o efeito; receber; estar sob o controle das coisas.

Como identificar o comportamento reativo em um nível prático e pessoal?

O comportamento reativo está fundamentado sobre o Desejo de Receber Para Si mesmo.

Ganância , egoísmo , ego . Ele pode ser definido como qualquer tipo de reação a uma situação externa . Esse comportamento pode incluir raiva, ciúme, inveja, excesso de confiança, baixa auto-estima, etc.

É o comportamento reativo que nos motiva a tomar Prozac quando nos sentimos deprimidos, Lexotan quando sentimos ansiedade, álcool quando perdemos a auto-confiança .

Todos esses sintomas são apenas falta de Luz. Se o Prozac faz você se sentir melhor, então o Prozac é a causa e você é justamente o efeito. O alívio e a sensação de bem estar serão temporários e em pouco tempo iremos cair novamente nas emoções negativas.

Toda vez que assumimos um comportamento que está sendo motivado pelo nosso ego, não estamos compartilhando. Toda vez que reagimos a quaisquer estímulos, motivados por um fator externo, estamos sendo mero efeito e não a causa. Toda vez que deixamos forças externas influenciarem nossos sentimentos perdemos o controle.

Enquanto estivermos vivendo nossas vidas sem nenhum crescimento pessoal ou mudança interna de nossa natureza ,não estaremos criando novos níveis espirituais de existência para nós mesmos.

Cada vez que uma reação seja provocada, devemos retomar a restrição original, pisar nos freios de nossas reações. Cada vez que fizermos isso estaremos nos movendo para mais próximos de nossa origem, estaremos promovendo a transformação de caráter com o propósito de adquirir Luz, realização e satisfação duradouras.


A CIÊNCIA PARA FICAR RICO

Agosto 5, 2007
Ser Rico ou querer ficar Rico não é Pecado. É expressão de fé!
A maneira incorreta que se usa para ficar rico sim, é pecado!

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